Como o ambiente influencia as nossas escolhas alimentares.

7 de abril de 2019 | Por Anna Carolina Rego

Comer, beber e fazer escolhas alimentares parecem tarefas simples. Mas fazem parte de comportamentos complexos, influenciados por diversos fatores.

O nosso corpo precisa fazer um balanço entre a energia que consumimos e a energia que gastamos – só esse balanço energético envolve diversos sistemas. Além disso, precisa integrar os sinais de todo o nosso trato gastrointestinal e considerar a motivação que direciona a nossa tomada de decisão. Ou seja, até decidirmos por comer algo, existe um extenso percurso interno.

Diariamente escolhemos o que e quanto iremos comer. Mas quando paramos para pensar, dificilmente sabemos dizer por que escolhemos um alimento e não outro.

As primeiras explicações que vêm a nossa cabeça geralmente são: “porque eu gosto”, “porque estava com fome”, ou simplesmente “porque é saudável”. Porém, você já reparou como o ambiente pode influenciar as nossas decisões?

O ambiente no qual estamos inseridos possui diversas pistas, que vão sendo interpretadas pelo nosso cérebro, podendo influenciar diretamente a nossa relação com a comida. Principalmente na quantidade que iremos comer.

Passe a observar se tais fatores influenciam as suas escolhas alimentares:

  • Tamanho das embalagens;
  • Porções sugeridas;
  • Variedade e o quão atrativo é o alimento;
  • Layout das embalagens;
  • Quantidade de comida estocada;
  • Tamanho dos utensílios;
  • Distratores ambientais como o celular e a televisão.

Todas essas pistas externas podem direcionar quando vamos iniciar e terminar uma refeição e, aos poucos, vão nos desconectando das nossas pistas internas.

Quando comemos em excesso, essa perda de controle não acontece somente pela composição do que escolhemos, mas também pela quantidade e pela frequência que comemos. O que é curioso, pois geralmente somos nós que nos servimos.

O que escuto com frequência é que “preciso comer tudo que está no prato, pois não posso desperdiçar”, ou “porque estou pagando”, ou “porque não sei quando comerei esse alimento de novo”.

Enfim, existem diversos pensamentos que vão nos afastando dos nossos sinais físicos de fome e saciedade.

Entende porque falar sobre comportamento alimentar e peso corporal é muito mais complexo do que considerar um “simples” balanço entre a energia que ingerimos e a que gastamos?!

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Anna Carolina Rego
Doutora em Ciências Biológicas pela UFRJ e idealizadora do Além do Comer (@alemdocomer).