Revistas femininas, mundo da moda, estamos falando com vocês!

25 de julho de 2017

Hoje quero dividir com vocês um trecho do livro “A garota com a tribal nas costas” da atriz americana Amy Schumer. O livro é muito divertido, gostoso de ler, e neste trecho, tem uma mensagem muito bonita e que me fez pensar muito.

Amy é uma mulher que, assim como nós, teve dificuldades para aceitar o corpo. Aceitar que jamais seria igual ao “padrão exigido” para ser uma estrela de televisão ou cinema.

Pois bem, ela não precisou de corpo padrão para se tornar uma estrela. Amy é mais do que uma estrela. É uma mulher incrível, inteligente e corajosa. Uma mulher que questiona o padrão de beleza.

Questione você também!! Quem disse que o seu corpo está errado?

“Estou com raiva porque meninas de oito anos já estão sendo censuradas por causa de seus corpos. Crianças que ainda estão no quinto ano fazem dieta e admiram no Instagram fotos de celebridades usando espartilho. Algumas pessoas de quem sou muito próxima já lutaram contra distúrbios alimentares. 

Estou com raiva de uma indústria que sugere que a única forma física aceitável é a das dolorosamente magras. Por favor, não venham me dizer que estou tentando condenar quem é magro. Se essa é a sua forma física, que bom para você, mas precisamos variar um pouco, porque isso está incomodando e confundindo mulheres com outros tipos de corpo. Quando me apresento para mais de dez mil pessoas, olho para a multidão e cerca de metade das mulheres está com os braços cruzados para cobrir a barriga.

Recebemos o tempo todo a mensagem de que atingir a magreza é a única forma de sermos valiosas ou mesmo aceitáveis.

Por que meninas que vestem tamanho acima de 38 não podem desfilar? Do que eles têm medo? De que a passarela quebre? Eles acham que modelos que usam tamanho 40 ou maior não conseguem chegar ao fim do desfile sem fazer uma pausa para um lanchinho? Chega, chega desses duendes esqueléticos desfilando roupas irreais por uma passarela feia, com iluminação feia e música barulhenta.

A vida real não tem nada a ver com o mundo dessas passarelas. Vamos acrescentar um pouco de bunda a esse universo. E não só no desfile “plus size”. Nós, garotas de tamanho 40, 42, 44, 46, 48, 50… nós não queremos um dia especial; queremos todos os dias e queremos que vocês saiam da nossa frente e parem de atrapalhar nossa caminhada, porque já chegamos até aqui!

Vocês estão vivendo no passado, todas as suas revistas esquisitas desatualizadas representando o mundo fashion bizarro que apresenta roupas bizarras que ninguém que eu já tenha conhecido usa. 

Quando você posa para uma capa, muitas revistas não permitem que você escolha como aparecerá ou a roupa que vai usar, e em geral elas usam o Photoshop até que você se torne mais uma mulher genérica. Faça uma busca no Google por “mulheres em capa de revista”, clique em “Imagens” e você terá uma tela cheia de capas. Agora, olhe um pouco mais de perto e verá: todas parecem a mesma pessoa. É ridículo.

Por que nos ensinam que todas nós precisamos ter a mesma aparência? Algumas de nós querem aparecer exatamente como são: da forma que nasceram, um pouco patetas, com alguns ângulos ruins e outros lindos.

Não há nada de errado em celebrar a beleza, mas existem várias formas de beleza! E que tal concordarmos que não precisamos colocar um rótulo de alerta na página toda vez que mostrarmos alguma forma de beleza “alternativa”? O rótulo “plus size” passa uma mensagem de “nós contra elas”: Estas são as mágicas mulheres plus size que são adoráveis e lindas apesar do seu tamanho.

Por que criar categorias para os corpos das mulheres? “Plus size” é um termo sem sentido que sugere que qualquer coisa acima de um determinado tamanho é diferente e errada. Quando a Glamour colocou o meu nome na capa da sua edição “Chic at Any Size” [Chique em qualquer tamanho] sem me consultar, fiquei frustrada, porque não quero ilustrar essa mensagem.

… saí do chuveiro e parei. Eu estava com a pele manchada e o cabelo despenteado, nada parecida com as garotas das revistas. Mas estava bonita para caralho mesmo assim. Sou uma mulher de verdade, que digere suas refeições, tem problemas de pele e lindos bolsões de celulites nas coxas dos quais não tem vergonha. Sabe por quê? Todas nós temos essas merdas. Somos todas seres humanos.

Estou com raiva de mim mesma por ter desperdiçado meu tempo dando atenção a uma revista que publica artigos intitulados “Como saber se ela é boa de cama” e “Nove maneiras de ter uma ereção mais rígida”. E eu com isso? Não quero fazer parte desse ruído. Quero outra coisa. Revistas femininas, estou falando com vocês! Vocês não acham que poderiam publicar umas fotos engraçadas, surpreender um pouco e adicionar mais de um artigo por edição sobre mulheres inteligentes, criativas e interessantes? Sei que existem problemas maiores no mundo. Mas isso é algo que me incomoda muito. Esse é o assunto que mais me afeta.

Quero gritar de cima das porras dos telhados: vocês não podem mais nos censurar ou rotular. Em vez disso, juntem-se a nós e EVOLUAM MAIS RÁPIDO para que todos possamos trabalhar juntos!

A beleza não precisa ser tão dura, limitada e séria. Algumas dessas revistas nos subestimam. Elas nos pedem para acreditar em seus rótulos e em sua monotonia. Por um minuto, eu acreditei nelas. Mas esse minuto acabou. E espero que tenha acabado para todas vocês.”

de “A garota com a tribal nas costas” de Amy Schumer

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