Quando eu emagrecer…

24 de abril de 2018 | Por Fernanda Timerman

Vou ser feliz;

Vou ser amado e notado;

Vou conseguir aquele emprego;

Vou comprar aquela roupa;

Vou conseguir aquele(a) namorado(a);

Vou conseguir lidar melhor com meus problemas e meus sentimentos;

Vou viajar;

Vou me frustrar menos….

Cuidado!

Lógico que quando nos sentimos bonitos nossa autoestima melhora e nos sentimos bem, mas depositar toda nossa expectativa de “soluções” em números a menos na balança pode ser frustrante e muitos, quando chegam lá, se decepcionam. Um clássico dessa correlação frustrada são pessoas que perdem MUITO peso depois da cirurgia bariátrica e, mesmo conquistando o peso tão sonhado, deprimem. Principalmente aqueles que não passam por um processo nutricional e psicológico adequado antes da cirurgia.  

Cadê o COMBO prometido com a perda de peso?

Cadê o amor da minha vida, meu emprego perfeito, meus amigos incríveis, minha tolerância à frustração?

Não vinha no pacote? 

As pessoas estão angustiadas, ansiosas, infelizes, inseguras e muitas vezes, consciente ou inconscientemente recorrem à comida para tentar lidar com alguns sentimentos como raiva, solidão, frustração, tristeza.

Então entenda que se você está comendo por razões mais emocionais do que físicas, têm mais coisas que merecem atenção, do que só o número na balança. 

Se você está cansada dessa guerra contra você mesma e contra seu corpo, seu maior bem, comece a ter mais compaixão consigo. Se você está cansado dessa guerra com dietas que impõem a você comer o que não gosta/não tem vontade, cansado de fazer exercícios que não te agradam, de levar bronca de quem nem te conhece, de sucumbir a essa manipulação que faz você estar insatisfeito O TEMPO TODO, e está afim de se sentir bem de verdade, comece a ter mais compaixão consigo.

Tente fazer as pazes com as imperfeições, segurar com menos força as emoções, sabendo que elas vão e vêm (mas que se você se agarrar à elas, você vai junto). Comece a protestar ao que só serve para te por para baixo e apoiar alternativas que não prometem milagres, e sim uma viagem mais longa, mais  interessante, genuína e duradoura para dentro… aí quem sabe conseguimos melhores resultados fora.

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Fernanda Timerman
Nutricionista, Mestre em saúde pública. Faz parte da coordenação do GENTA, Grupo Esp. em Nutrição e Transtornos alimentares e da Nutrição Comportamental.