Você NÃO precisa ser PERFEITA.

10 de junho de 2018 | Por Valéria Lemos Palazzo

Você sente que o que você realiza nunca é bom o bastante? Você sente que deve dar mais de 100 por cento em tudo que você faz ou se sentirá medíocre ou “menos”?

Saiba que ser perfeccionista não é fazer alguma coisa sempre melhor, ou buscar sempre a excelência, mas sim, ter a crença de que a perfeição é o único caminho para a aceitação pessoal. É a convicção de que somente seremos aceitos como pessoas se formos perfeitos.

Se for assim, mais do que simplesmente estar trabalhando para o seu sucesso, você pode estar tentando ser perfeito. O perfeccionismo aparece como um jogo de pensamentos e de comportamentos de autoderrota, visando alcançar objetivos não realistas e excessivamente elevados. O perfeccionismo frequentemente é visto equivocadamente em nossa sociedade como desejável ou mesmo necessário para o sucesso. Entretanto, os estudos recentes mostraram que as atitudes perfeccionistas interferem realmente com o sucesso.

O desejo de ser perfeito pode transmitir a você um sentimento interno de satisfação pessoal. Porém, exteriormente ele pode realizar exatamente o oposto, e fazer com que você não consiga certas realizações tanto quanto as pessoas que tem expectativas mais realistas sobre si mesmas.

Causas do Perfeccionismo

Se você for um perfeccionista, é provável que você tenha aprendido cedo na vida que as pessoas sempre a avaliariam pelo quanto você realizaria ou conseguisse. Em consequência disso, você pode ter aprendido a avaliar-se somente na base da aprovação das outras pessoas. Assim sua autoestima pode estar sendo baseada primeiramente em padrões externos. Isto pode deixá-la vulnerável e excessivamente sensível às opiniões e as criticas dos outros. Na tentativa de proteger-se de tal criticismo, você pode decidir que ser perfeito é sua única defesa.

Os seguintes sentimentos, pensamentos e opiniões negativas podem estar associados ao perfeccionismo:

  • Medo da desaprovação. Se deixarem os outros verem suas falhas, os perfeccionistas temem frequentemente que não sejam aceitos. Tentar ser perfeito é uma maneira de tentar proteger-se do criticismo, da rejeição, e da desaprovação.
  • Pensamento definitivo. Os perfeccionistas acreditam frequentemente que são “sem valor” se suas realizações não forem perfeitas. Os perfeccionistas têm dificuldade de enxergar a situações em perspectiva. Por exemplo: um estudante que receba uma nota “B” ao invés de uma nota “A”, pode acreditar: “Eu falhei” (o que se reflete em: “eu sou uma falha total”)
  • Super ênfase nos “deveria”. As vidas dos perfeccionistas são estruturadas frequentemente por uma lista infinita de “deveria”, existem regras rígidas de como suas vidas devem ser conduzidas. Com tal super ênfase nos “deveria”, os perfeccionistas passam a controlar as suas vidas através de regras, ao invés de perceber o que realmente gostam e querem.
  • Acreditando que outro é facilmente bem-sucedido. Os perfeccionistas tendem a perceber que o sucesso dos outros é conseguido com um mínimo do esforço, poucos erros, baixo stress emocional, e máxima autoconfiança. Ao mesmo tempo, vêem seus próprios esforços como ineficazes e inadequados.

O ciclo vicioso do perfeccionismo 

As atitudes de Perfeccionista formam um ciclo vicioso. Primeiramente, o perfeccionista tem certos objetivos irrealizáveis. Em segundo lugar, muito do que poderia já estar concretizado na sua vida, não se concretizam pela atitude critica que tem em relação a si mesmos, e não porque os seus objetivos eram impossíveis ou difíceis de alcançar. A falha em alcançá-los era assim inevitável. Em terceiro lugar, a pressão constante para conseguir a perfeição e a falha crônica inevitável reduz a produtividade e a eficácia. Em quarto, este ciclo conduz os perfeccionistas a serem muito autocríticos (se culpam, se exigem demais) o que resulta em uma baixa auto-estima.

Este comportamento também pode conduzir à ansiedade e a depressão. Neste momento os perfeccionistas podem ter um pensamento do tipo: “Se eu me esforçar mais, fizer mais, ou melhor, vou conseguir”. Este pensamento ajusta o ciclo outra vez.

Por causa deste ciclo vicioso os perfeccionistas têm frequentemente uma dificuldade de se relacionar com as pessoas. E podem até ter em conseqüência disso relacionamentos interpessoais pouco satisfatórios.

Como mudar? O que fazer com o perfeccionismo?

A primeira etapa na mudança das atitudes perfeccionistas é perceber que o perfeccionismo é indesejável. A perfeição é uma ilusão inatingível. A etapa seguinte é desafiar os pensamentos e os comportamentos de autoderrota que abastecem o perfeccionismo. Algumas das seguintes estratégias podem ajudar:

  • Ter objetivos realísticos e possíveis de serem realizados sempre tendo como base as suas próprias vontades e necessidades. E levando em conta tudo o que você já realizou no passado. Isto permitirá que você consiga aumentar a sua auto-estima.
  • Dê pequenos passos. Pense nos seus objetivos de maneira seqüencial, mas sem rigidez.
  • Experiencie os seus padrões para o sucesso. Escolha uma atividade e em vez de apontar para 100 por cento, tente 90 por cento, 80 por cento, ou nivele 60 por cento de sucesso. Isto a ajudara a perceber que o mundo não termina quando você não é perfeito. E que você pode conseguir e alcançar muita coisa que deseja, sem a necessidade de ser 100% perfeita.
  • Focalize no processo de fazer uma atividade não apenas no resultado de final. Avalie seu sucesso não somente nos termos do que você realizou, mas também nos termos de quanto você apreciou a tarefa. Reconheça que pode haver um valor no processo de perseguir um objetivo.
  • Use seus sentimentos de ansiedade e depressão como oportunidades de perguntar-se: “Eu tenho colocado expectativas impossíveis para mim mesma nesta situação?”
  • Confronte os medos que podem estar atrás de seu perfeccionismo se perguntando: “O que mais me dá medo nesta situação? Qual é a pior coisa que poderia acontecer?”
  • Reconheça que muitas coisas positivas somente podem ser aprendidas cometendo-se erros. Quando você comete um erro pergunte: O que eu posso aprender desta experiência?
  • Dê uma chance a si mesma e aos outros que estão ao seu lado; chance de descansar, de aproveitar a vida, de se divertir.

Assista aqui a entrevista com a psicóloga e neuropsicóloga Valéria Lemos Palazzo, coordenadora do GATDA – Grupo de Apoio e Tratamento dos Distúrbios Alimentares.

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Valéria Lemos Palazzo
Psicóloga e neuropsicóloga. Coordenadora do GATDA – Grupo de Apoio e Tratamento dos Distúrbios Alimentares.