Fazendo as pazes com o corpo

16 de outubro de 2017

Você já se deu a incrível oportunidade de TENTAR gostar do seu corpo? Sim, você sim, estou falando com você!! Ou simplesmente se olha no espelho todos os dias e, antes de qualquer coisa, já pensa: sou inadequada, não gosto deste corpo, ele está errado.

Você consegue imaginar sua vida sem estar em guerra com o corpo? Consegue imaginar uma vida sem contar calorias e sem dividir os alimentos nas categorias “proibido” e “permitido”? Sem tentar entrar em um número menor de roupa? Você já parou para pensar que não existe absolutamente nada de errado com seu corpo? 

Precisamos aprender a ser amáveis com nós mesmas. Com frequência, somos gentis com os outros e cruéis conosco. Claro que não é possível dizer a si mesma: “Ok, a partir de hoje vou começar a me amar e só falar coisas boas sobre mim.” Sabemos que não funciona assim. Lamento informar, mas se alguma pessoa te disse que isso é fácil, ela mentiu para você.

É MUITO difícil se sentir segura, capaz, confiante e bonita. Nenhuma mulher se sente assim o tempo todo. A vida é assim, temos dias bons e dias horrorosos, o importante é nunca desistir. Eu decidi que iria tentar me aceitar e me respeitar – e também aceitar o fato de não conseguir fazer isso tão facilmente.

Para mudar a lente negativa que usamos, não basta fazer seu intelecto entender. Você precisa fazer seu coração sentir.

Me dei conta que o corpo não pertence mais às pessoas. Ele virou um objeto de apreciação e julgamento públicos. A psicanalista Luciana Saddi diz que estamos vivendo o Corpo da Era Industrial: “É como se ele fosse uma máquina de queimar gordura e produzir músculos. Tratamos nosso corpo como se ele fosse uma foto. O corpo não está mais dentro de nós.”

Eu me reconheci totalmente nessas palavras. Havia passado os últimos anos vivendo fora do meu corpo, como se fôssemos dois seres diferentes – “eu” e “meu corpo”. Costumava me referir a ele como um ser estranho, distante, um inimigo, algo de que eu não gostava e que não fazia parte de mim.

Sentia meu corpo como se ele fosse um molde de massinha que eu queria modelar até ficar perfeito. Esqueci que eu sou um ser vivo, que nasci com uma estrutura óssea e muscular diferente da dos outros, que meu corpo tem um formato e um tamanho únicos, e que exatamente por isso não posso compará-lo com os outros. Esqueci tudo isso. Nós esquecemos tudo isso. 

Queremos ter o corpo dos outros sem pensar nem questionar como esses corpos foram construídos. Perdemos a capacidade de enxergar nossa beleza natural e de compreender nossos mecanismos de fome e saciedade, pois não permitimos que eles trabalhem da forma correta, sempre impondo dietas e restrições. E quando perdemos essa ligação, comer vira um ato desconectado das nossas sensações corporais e passamos a fazê-lo no piloto automático, sem sentir o gosto, a textura, o cheiro.

Cheguei a pensar: estamos perdidos, não tem mais volta.

E me perguntava: será que é possível pegar o corpo de volta, voltar a viver dentro dele? SIM, hoje eu verdadeiramente acredito nisso! Você precisa encontrar formas de resgatar seu corpo, de restabelecer o contato com ele, de ouvir o que seu corpo quer te dizer.

Gostar de si mesma não é somente apreciar a própria aparência ou não ter pensamentos negativos a seu respeito. Gostar de si mesma é compreender-se, conhecer-se. 

Se você só pensar em dieta e em como acha seu corpo inadequado, vai deixar muita coisa boa passar pela sua vida. Vai perder sensações maravilhosas que não dependem absolutamente nada da forma do seu corpo.

Eu encontrei o meu caminho quando me permiti procurar ajuda médica e fiz o tratamento para o meu transtorno alimentar. Sei que você vai encontrar o seu caminho e se eu puder te ajudar, quero te dizer: comece hoje, mas comece devagar.

Não tente mudar tudo de uma só vez. Eu não conheço ninguém que depois de anos de rejeição ao corpo passou a se amar milagrosamente. A construção do amor-próprio, da autoaceitação e do respeito ao corpo é algo que acontece primeiro na nossa mente, no nosso coração, na nossa alma. De dentro para fora.

Você não tem motivos para ter vergonha do seu corpo. Pegue o seu corpo de volta para você e trate ele com carinho, respeito e autocompaixão.

Essa é a mensagem que eu quero passar para você com meu livro “Fazendo as pazes com o corpo” que está sendo lançado este mês. Nós preparamos um vídeo especial para você!

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