O que significa ter uma boa autoestima?

7 de maio de 2018 | Por Valéria Lemos Palazzo

Basicamente, autoestima significa quem você é para você. Portanto, seguindo esta linha de raciocínio, se você se tiver em “alta conta”, se valorizar e se considerar como alguém de “valor”, você terá uma autoestima alta. Do contrário, o que é mais comum, a sua autoestima será baixa. 

Todos têm problemas de autoestima.  

A grande tendência é nos valorizarmos para os “outros” e não para nós mesmos. Além disso, existe um grande preconceito com relação ao ato de se valorizar. Muitas vezes vemos este comportamento como egoísmo, e por isso, nos “proibimos” de gostar de nós mesmos. Porém, se colocar em primeiro lugar, não significa ser egoísta. Apenas significa que seus sentimentos, suas necessidades e vontades são importantes.  

A consequência da nossa baixa autoestima é a desvalorização. Você não é importante para você.  

Muitas situações ruins que aconteceram, ou que estão acontecendo na sua vida agora, estão diretamente relacionadas à sua baixa autoestima. O constante sentimento de rejeição, de sentir-se menos, que sempre anda junto com você, leva a uma série de sentimentos negativos que acabam – digamos – “atraindo”, ou melhor, causando uma série de situações negativas e frustrantes.

A baixa autoestima leva até a sentimentos de violência, desde a verbal até a física. Seja violência contra o outro ou violência praticada contra nós mesmos. A pessoa dita “violenta” esta ferida de alguma forma, se frustra por não acreditar que vá obter o que quer, e se vira contra os outros e/ou contra si mesma. Por isso a auto violência é muito comum.  

Sem estima, esperamos que o “outro” faça, aquilo que não fazemos por nós mesmos.  

Você espera que os outros tenham consideração por você? Mas, essa consideração, você dá para si mesmo? Você é um “amor” com os outros, e um “carrasco” com você?  

Muitas vezes, para compensar o mau trato que você faz com si mesmo, você começa a fazer tudo para os outros, e a consequência disso é que você se anula. Você acredita que vai “consertar” a sua falta de amor próprio “consertando” por fora (fazendo para os outros), e não mudando a si mesmo.

A sua felicidade está na sua mão. Você deixou as outras pessoas colocarem “regras” na sua vida. Mas você é o responsável por deixar o que vai ou não “pegar” para si. 

Por que você se põe para baixo?  

Todos temos algo em nós que já foi discriminado. Por que você não assume quem realmente é, ao invés de querer seguir um modelo? Assuma e diga para si mesmo: “Eu gosto de ser assim”. Você fica seguindo um “ideal”, um modelo de como você “deveria” ser e, por causa disso, fica se destruindo e se anulando. Você fica contra você quando assume este tipo de atitude.   

A sua vida é para você. Gostar-se é aceitar-se.

A primeira coisa que funciona é mudar a sua atitude com você mesmo. E para isso, você precisa de toda paciência que puder com si mesmo.

Como você quer ter paz, se não se deixa em paz?

Como quer ter amor, se não se ama?

Como quer ter consideração, se não se considera?

Toda vez que você vai em busca de um “modelo ideal”, em detrimento de si mesmo, usando isso para se desvalorizar e invalidar, você irá arrumar uma série de aflições. Fica aflito, porque “tem que conseguir”, “tem que chegar lá”, “tem que alcançar aquele modelo”. E, com tudo isso, vai ficando cada vez mais ansioso, cheio de expectativas e medos. Tudo isso se chama, aflição. Com aflição, a sua vida fica desgastada.

Se volte contra as suas exigências absurdas. Acredite que você NÃO tem de ser essa “criatura excepcional” que você criou na sua imaginação, para então começar a se gostar e se aprovar.  

Ao invés disso, comece a se “dar força”. Se dar força é se permitir ser quem você é, se aceitar. E, se acontecer alguma coisa ruim ou dolorosa, você deve ser o primeiro a se apoiar com autocompaixão, ao invés de ficar aflito e se culpar.

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Valéria Lemos Palazzo
Psicóloga e neuropsicóloga. Coordenadora do GATDA – Grupo de Apoio e Tratamento dos Distúrbios Alimentares.