Mindful drinking. Por que e para que estou bebendo?

2 de dezembro de 2018 | Por Vera Lúcia Salvo

Hoje em dia é muito comum entre amigos, colegas de trabalho, alguém sugerir em vez de tomar um café: “Vamos beber!” As bebidas soam mais festivas e todos nós queremos ser felizes, não é?

Que mal há em beber de vez em quando, você deve estar se perguntando…

Não há problema em ter a bebida alcoólica como parte de sua vida, desde que você seja capaz de avaliar se ela não está ocupando espaço demais em sua rotina.

É essencial aprender a consumir conscientemente para que a saúde não seja afetada negativamente. Beber está associado a um risco elevado de doenças crônicas, incluindo doenças do fígado, certas doenças cardiovasculares e pelo menos sete tipos diferentes de câncer. E quanto mais você bebe, maior o risco de desenvolver essas doenças.

Pessoas que sofrem de depressão ou têm histórico familiar de alcoolismo estão em maior risco de desenvolver problemas com a bebida.

Beber com o estômago vazio promove efeito diferente no organismo, comparado a ingestão alcoólica em uma refeição. A frequência de consumo de álcool, bem como a prevalência dos transtornos relacionados (abuso e dependência), é alta em pessoas com transtornos alimentares.

Aproximadamente 16% das pessoas com distúrbios alimentares também sofrem de abuso ou dependência alcoólica, sendo a bulimia, entre os transtornos, a mais associada a este problema.

É uma via de mão dupla.

  • Os principais componentes dos circuitos de alimentação do cérebro que desencadeiam a sensação de fome, são ativados pelo álcool; assim, não é incomum que as “bebedeiras” representem um gatilho para a compulsão alimentar;
  • Além disso, vale lembrar que o álcool, depois da gordura, é o que mais calorias possui por grama.

Um relacionamento saudável com o álcool requer a capacidade de sentir a resposta do seu corpo a uma bebida e ajustar sua ingestão.

A partir de Mindfulness é possível cultivar maior consciência e beber com atenção plena (Mindful drinking)No cultivo da consciência, a fim melhorar sua percepção, é possível fazer-se algumas perguntas:

Por que e para que eu estou bebendo?

  • É para ter prazer?
  • Para lidar com (ou evitar) problemas, para relaxar de situações estressantes?
  • Para fazer parte da turma de amigos que está bebendo?
  • No dia seguinte, me sinto culpada/arrependida(o)?
  • O que realmente estou buscando quando bebo? Prazer? Distração? Fuga?

Você pode ter outras opções além da bebida.

Quando eu bebo?

  • Eu estou bebendo com frequência ou automaticamente?
  • Tornou-se uma parte de cada interação social e passatempo?
  • Bebo junto com a comida ou isoladamente?

Os efeitos do álcool são mais rápidos quando em jejum.

O quê eu sinto quando bebo?

  • Quais são minhas sensações corporais?
  • Há pensamentos, sentimentos presentes?

Com quem?

  • Costumo beber sozinha (o) ou acompanhada?

Quanto eu bebo?

  • Degusto a bebida?
  • Ou consumo uma quantidade e variedade de bebidas alcóolicas que não consigo recordar

Como eu bebo?

  • Estou presente na experiência, percebendo o aroma o sabor do que estou consumindo? (Se beber com atenção possivelmente a quantidade consumida será menor).
  • Consigo fazer uma pausa?
  • Não posso ou não quero parar de beber por alguns dias. (Pode ser um indício de dependência emocional e possivelmente fisiológica).

Que você possa celebrar com atenção plena cada momento, que compartilhe sorrisos, abraços e que possa brindar de forma intencional e consciente cada realização e aprendizado vividos!

Saúde e Tim Tim!

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Vera Lúcia Salvo

Especialista em Nutrição Clínica pelo Centro Universitário São Camilo e em Teorias e Técnicas para cuidados integrativos no departamento de neurologia e neurocirurgia da UNIFESP. Pós-doutoranda em Saúde Coletiva  com ênfase em Mindfulness e Mindful eating– Depto de Medicina Preventiva – UNIFESP/EPM. Instrutora de Mindfulness e Mindful Eating. Member of Center for Mindful Eating (TCME)