Deixe de seguir aquilo que mais lhe entristece do que inspira

28 de julho de 2017 | Por Rafael Marques

Olá pessoal, uma honra estar iniciando esta coluna na página da nossa querida Daiana. A partir de hoje vamos falar sobre informações que redes sociais e mídias trazem, muitas vezes de forma incorreta e/ou incompleta.

Navegando nas redes sociais me deparei com esta imagem (autor: Al Margen) e ela imediatamente me fez refletir sobre os riscos das postagens de alguns profissionais, das mais diversas áreas, e de pessoas que se dizem “Fitness inspiration”ou “Thin Inspiration”.

Não consigo ver nenhuma preocupação com a saúde de seus seguidores, não seria leviano a ponto de afirmar que é proposital, contudo na minha percepção, estas postagens com seus corpos à mostra são muito mais para acariciar seus egos e reforçar determinados ganhos pessoais. Porém acabam, mesmo que de forma indireta, causando muita tristeza, decepção, angústia, sofrimento e pouquíssima inspiração.

Você poderia dizer – “então, se não consegues um corpo igual, basta parar de seguir este perfis”. Seria ótimo se fosse tão fácil, entretanto não se esqueça que a sociedade ainda não permite que as pessoas tenham seu corpo. É preciso estar no padrão, é preciso lutar e ter “força, foco e fé” para ser aceito, para fazer parte do clube dos “vencedores” não importando o quanto isso custará de sua saúde física e mental.

Contudo o que vi nos meus 15 anos de clínica e 10 como professor foram centenas de mulheres e alguns homens adoecerem na busca daquilo que as redes sociais e a sociedade lhes diziam que tinham que ser.

Fique atento aos sinais e sintomas abaixo e caso percebas que alguns fazem parte do seu dia-a-dia, procure ajuda:

  • Práticas constantes de dietas,
  • insatisfação com seu corpo, pensamento obsessivo por magreza, medo de engordar,
  • comer de forma descontrolada alimentos ricos em açúcar e gordura (principalmente durante as tentativas de perda de peso),
  • pensamentos de fracasso pessoal,
  • exagero na valorização do corpo perfeito (magreza ou músculos),
  • determinar a qualidade de alguém pela aparência,
  • pular refeições ou criar desculpas para não comer,
  • foco excessivo em comer de forma saudável, evitar se alimentar com a família ou ter sua comida toda separada,
  • evitar eventos sociais que envolvem comida,
  • rituais alimentares (por exemplo, comer apenas uma comida específica ou certo grupo alimentar, mastigar demais, não permitir que os alimentos se toquem),
  • procurar “defeitos” ou “gorduras” toda hora no espelho.

Muito cuidado com comportamentos compensatórios e atitudes assim:

  • usar laxantes, diuréticos ou qualquer produto (medicamentoso ou fitoterápico) para perder peso,
  • exercitar-se de forma extenuante (manter uma rotina de exercícios rígida porque precisa “queimar” calorias, mesmo quando a pessoa está doente ou lesionada),
  • idas frequentes ao banheiro depois das refeições,
  • indícios e/ou cheiro de vômito,
  • comer em segredo,
  • passar fome de forma deliberada,
  • grandes e frequentes variações de peso,
  • ficar o tempo todo pensando em comida ou no peso,
  • fazer comentários frequentes sobre o quanto está “gordo” ou acima do peso,
  • beber água em excesso e/ou usar muito enxaguante bucal, bala de hortelã e chiclete.

Procure ajuda se isso faz parte da sua vida. Emagrecer, fazer dieta e controlar a comida de forma doentia não podem ser as maiores preocupações da sua vida, e sim, deixe de seguir aquilo que mais lhe entristece do que inspira.

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Rafael Marques
Nutricionista, coord. da Pós-graduação em Comportamento Alimentar do IPGS, mestre em epidemiologia e pesquisador do Hospital do Coração de São Paulo. Instagram @comportamentoalimentar