Me sinto esgotada de tentar me reprimir, de me achar feia, sem qualidades e inferior a todas as mulheres.

8 de junho de 2017

Todos os dias eu recebo por e-mail depoimentos de pessoas que estão em guerra com a comida e com o corpo. Descobri que eu e você não estamos sozinhos. Somos milhares. Este é o desabafo que uma mulher de 24 anos.

Me chamo ** e sou jornalista.

Estou cansada de me odiar, de não me aceitar. Estou cansada de odiar o meu corpo como se ele fosse imperfeito, de odiar as gorduras da minha barriga e mutilá-las com as minhas unhas e apertões, estou esgotada de odiar os meus braços gordos, as minhas coxas grandes, a minha estrutura óssea grande, os meus peitos flácidos de tanto engorda e emagrece e de me achar a pessoa mais feia e horrível.

Me sinto esgotada de tentar me reprimir, de me achar feia, sem qualidades e inferior a todas as mulheres. Me sinto fraca, incapaz e acho que sou a única que não consegue seguir uma reeducação alimentar e ficar magra. 

Quando tinha uns 15/16 anos, nunca passou pela minha cabeça ter preocupação com o corpo, eu era magra, seca, esquelética. Então, na adolescência as coisas começaram a mudar, sem muito apoio “psicológico” dos pais fui morar com as minhas irmãs na cidade, comecei a estudar, trabalhava e me virava sozinha, depois mudei de cidade e comecei a fazer faculdade, acumulei diversas tarefas e além da comida comecei a comer todos os meus sentimentos: medo, insegurança, solidão, falta da presença de mãe, sem vida social e amigos. Foi o auge, engordei uns 15 quilos e vi minha vida desmoronar.

Um pouco antes fui consultar com uma nutri, estava com uns quilos a mais e comecei a seguir um plano alimentar, com a restrição veio a compulsão e depois disso foi um verdadeiro inferno, até hoje vivo com ela. Eu vivo um dilema com a comida, temos uma relação péssima, eu tenho medo de comer, eu não sei comer, eu perdi a noção da quantidade, é horrível, é angustiante.

Faço terapia e há pouco tempo iniciei um tratamento psiquiátrico.

Meu corpo não aguenta mais tanto engorda e emagrece, está flácido, cheio de estrias e celulite. Tenho dificuldades para viver em equilíbrio. Ou me restrinjo ou me permito exageradamente, não encontrei um meio termo e isso não está me fazendo nada bem, não aguento mais viver assim. Daiana eu estou cansada, eu não aguento mais.

Eu queria conseguir ter uma vida normal, sair para jantar sem me preocupar depois, mas tenho a impressão de que nunca consigo, de que sou uma fracassada, de que todos conseguem menos eu.

Quando como algo a mais vejo meu rosto enorme, meu corpo gordo como se estivesse engordado uns 10 quilos. Minha psicóloga diz que me vejo no espelho de uma forma que não sou, num tamanho que não sou, isso é tão angustiante, as vezes sinto que só posso contar com ela, que ninguém vai me entender,  podem achar que é futilidade.

Acho que é uma dor só minha e eu só gostaria que me dissessem que um dia vai passar.

Obrigada por tudo que você está fazendo, tenho certeza que com visibilidade do assunto, conhecimento e esforço por parte de quem sofre, é possível ter resultados para amenizar a nossa dor.

Ler estas histórias me fez entender como precisamos conversar sobre isso e mudar a nossa mentalidade de dieta e de rejeição ao nosso corpo. Vou compartilhar aqui as mensagem que vocês mandam. Jamais vou revelar o nome verdadeiro de ninguém para não expor.

E lembre: Não estamos aqui para julgar. Estamos aqui para aprender a respeitar o nosso corpo. TODOS JUNTOS.

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