Como o padrão de beleza influencia você

20 de outubro de 2017 | Por Fernanda Timerman

“Ver mulheres magras muda padrões de beleza em 15 minutos”

Esse foi o título de uma reportagem da revista Super Interessante no mês de agosto. A revista mostrou um recente estudo sobre o impacto da exposição de modelos magras no padrão de beleza de pessoas que não tinham contato com mídias.

O recente estudo foi feito por um pesquisador sueco em um vilarejo na isolada Costa do Mosquito, Nicarágua, onde atualmente o governo está instalando energia elétrica (e com ela, a TV) pois as casas tinham apenas lâmpadas que funcionam com energia solar.

Foi solicitado a 80 homens e mulheres nicaraguenses rurais, com idades entre 16 a 78 anos e que tinham pouco ou nenhum acesso à mídia, que apontassem o corpo feminino ideal.

Depois, o grupo foi dividido: 40 voluntários foram expostos a 72 imagens de modelos magras por 15 minutos, os outros 40 viram imagens de modelos plus size pelo mesmo período. Depois todos voltaram ao programa de computador para escolher novamente o corpo feminino ideal.

Adivinhe qual foi o resultado? Sim, os voluntários expostos às imagens de modelos magras escolheram corpos mais magros como ideais no mesmo software.  Não se sabe se o impacto é duradouro ou momentâneo, mas como já visto diversas vezes nesse canal, existe uma correlação grande entre o padrão de beleza muito magro e o desenvolvimento de depressão, anorexia e bulimia nervosa, principalmente em adolescentes de 15 a 19 anos.

A reflexão que eu convido você a fazer é: se para internalizar um padrão de beleza magro leva apenas 15 minutos de exposição, imagina o que essa avalanche de perfis “fit” nas mídias sociais não fazem com a nossa cabeça, levando em consideração o tempo que gastamos nelas.

Como não se deixar influenciar?

Uma forma é parar de seguir certos tipos de perfis e limitar nosso tempo nas redes sociais, sites e revistas que exaltam corpo perfeito e dietas malucas. As nossas chances de ter alteração severa no autojulgamento, autoestima, depressão, ansiedade e afins provavelmente dará uma bela melhorada!

 

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Referências: Estudo na íntegra: http://www.biorxiv.org/content/biorxiv/early/2017/08/14/176107.full.pdf

Reportagem super interessante: https://super.abril.com.br/sociedade/ver-mulheres-magras-muda-padroes-de-beleza-em-15-minutos/

Smink et al. Epidemiology of Eating Disorders: Incidence, Prevalence and Mortality Rates. Curr Psychiatry Rep. 14(4): 406–414, 2012.

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Fernanda Timerman
Nutricionista, Mestre em saúde pública. Faz parte da coordenação do GENTA, Grupo Esp. em Nutrição e Transtornos alimentares e da Nutrição Comportamental.